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8 de Abril de 2020
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    Operação S.O.S Pirarucu contribui para recuperação social e ambiental

    Governo do Estado do Mato Grosso
    há 11 anos

    Ednilson Aguiar/Secom-MT
    Governo do Estado realiza operação SOS Pirarucu no município de Luciara, localizado a 1260 km de Cuiabá

    O maior peixe escamado de água doce do mundo, o pirarucu, um dos símbolos da bacia Amazônica, está recebendo ajuda para sobreviver. Com o risco de extinção ampliado a cada dia pelas variações climáticas e a pesca predatória, o medo que uma das principais fontes de renda se torne escassa para comunidades pesqueiras na região do Baixo Araguaia, em Mato Grosso, vem crescendo.

    Para evitar este desfecho, o Governo do Estado, em parceria com a sociedade organizada e a comunidade local, realizaram nos últimos 25 dias a Operação S.O.S Pirarucu, onde o animal é retirado de lagos prestes a secarem e transportados para reservatórios maiores.

    Este ano a operação se concentrou no município de Luciara (1.260km de Cuiabá), onde os lagos apresentam o menor volume de água. Pelo menos 24 lagos, todos em propriedades particulares, foram mapeados, georeferenciados, e tiveram a ação do grupo de salvamento. Representando o MT Regional, o biólogo pesquisador há mais de vinte anos da espécie no Araguaia, Francisco Assis Ribeiro, explica que é neste período que o pirarucu se reproduz. É nesta época de seca que o animal procura águas mais calmas, principalmente lagos, para procriar.

    Para retirar o peixe do lago, que está secando, é necessário observar atentamente os casais, isso porque o pirarucu é um peixe monogâmico, tendo apenas uma parceira durante toda a vida. Após identificar um casal, a equipe entra no lago, muitas vezes já infestados de jacarés, para capturá-los. Esta técnica é realizada porque na grande maioria das vezes a fêmea está prestes a desovar.

    É importante destacar o envolvimento da comunidade, de toda a juventude. A consciência que a pesca predatória é prejudicial à natureza, e à própria sobrevivência das comunidades locais, está crescendo. Boa parte das pessoas que fazem o salvamento são voluntárias, e trabalham apenas pela camiseta do projeto e a própria alimentação. Ou seja, elas estão ali pela satisfação em manter o peixe vivo para as próximas gerações. O depoimento do diretor do instituto Berohokã, entidade que age como facilitadora no projeto, Luis Jacarandá, reforça que o S.O.S Pirarucu vai além da retirada do peixe de lagos secos.

    Cerca de vinte pessoas trabalham em cada dia da Operação, a maioria voluntários locais. Mas nem todo interessado em participar é aceito, explica o diretor do Departamento de Meio Ambiente de Luciara, José Vanderlei Buiuna, apontado como a pessoa que mais conhece a localização dos lagos no município. Ele explica que existem pessoas que querem participar apenas para conhecer onde estão os lagos cheios de pirarucus de fácil captura. Temos um cuidado muito grande na hora de aceitar um voluntário, só aceitamos que conhecemos e sabemos que quer realmente ajudar a manter o peixe vivo.

    Buiuna comentou que um exemplo da importância no critério de seleção é o lago do Galego, último a receber a Operação este ano. Ninguém aqui conhecia a localização deste lago, todos já tiveram ouvido falar, mas ninguém sabia chegar. É triste porque este lago nunca havia corrido risco de secar. O número de lagos que correm este risco é maior a cada ano.

    LEGISLAÇAO EM DEBATE- O biólogo Francisco Assis, o 'Assis Araguaia', aponta complicações na atual legislação de pesca que

    Ednilson Aguiar/Secom-MT
    Governo do Estado realiza operação SOS Pirarucu no município de Luciara, localizado a 1260 km de Cuiabá

    prejudicam o pirarucu. Ele detalha que a pesca da espécie é permitida entre os meses de junho a setembro, somente a pesca com anzol, sendo que o peixe deve ter um comprimento superior a um metro e meio. Para o pesquisador, a maneira mais adequada seria a pesca com rede malha 30 ou superior, o que aprisionaria somente animais grandes sem machucar os peixes fora de medida.

    O problema estaria no anzol, uma vez que o pirarucu ataca sua presa por sucção. O alimento não é mastigado na boca, sendo absorvido diretamente no sistema digestivo. Assim, quando um pirarucu é fisgado no anzol, o gancho é fixado internamente. Quando o peixe é colocado no barco ele é medido, se ele for menor do que a lei exige, ele é devolvido para a água. O problema é que o anzol o rasgou internamente, então ele não irá sobreviver de qualquer maneira. Com uma rede de malha alta, é possível medir o peixe sem machucá-lo, explica o biólogo.

    ESTIMATIVAS O pirarucu pode atingir os 250 quilos na região amazônica, no Araguaia devido à depredação são raros os animais que ultrapassam os 200 quilos. Economicamente, o pirarucu consegue já na fase inicial de sua vida aumentar a biomassa em oito, dez quilos, por ano. Como o peixe consegue se reproduzir duas a três vezes por ano, Assis estima que se toda a comunidade se envolver, e o número de grupos de salvamento for ampliado, é possível um amplo repovoamento em apenas seis anos.

    Outro caminho para o repovoamento é a criação em cativeiro. Pesquisas já comprovaram que o animal consegue se reproduzir mesmo sendo mantido confinado.

    HÁBITOS A alimentação natural do peixe é um dos fatores que não o transformam em um vilão na região, mesmo sendo necessário grande volume de peixes em sua dieta. Ele opta principalmente por peixes menores sem grande valor comercial para os pescadores, como a traíra, a cachorra, e os caricídeos de maneira geral. O modo que o animal cria sua prole e cresce também chama a atenção.

    Após a desova da fêmea, é o macho que assume a responsabilidade de cuidar da cria. Respeitando a hierarquia interna da família, todos nadam em uma espécie de fila indiana, onde os machos menores são proibidos de ultrapassar os maiores, se o fizerem, são atacados e mortos. Quanto maior o pirarucu vai se tornando maior a distância dele em relação ao macho à frente. É ainda neste período que encontra sua parceira, que será sua companheira por toda a vida.

    Nome que vem do termo indígena pira peixe, e urucum vermelho, devido à cor de sua cauda, o pirarucu (ou Arapaima gigas) costuma viver em águas mais calmas. São geralmente lagos e rios de águas claras e ligeiramente alcalinas com temperaturas que variam de 24º a 37ºC, não sendo encontrado em zona de fortes correntezas e águas ricas em sedimentos.

    BIOLOGIA - Dotado de dois aparelhos respiratórios, as brânquias para a respiração aquática e a bexiga natatória modificada, especializada para funcionar como pulmão, no exercício da respiração aérea esse órgão especial é obrigatório principalmente durante a seca, ocasião em que os peixes procuram ambientes calmos para preparam seus ninhos. Na época da seca, o pirarucu é capaz de atravessar grandes distâncias em terra firme procurando água.

    O pirarucu é um "fóssil vivo"pois sua família existe sem modificações há mais de 100 milhões de anos. Ele possui cabeça achatada e ossificada e corpo alongado e escamoso. O famoso peixe vermelho tem aproveitamento de quase 100%. Do couro podem ser confeccionados bolsas e sapatos, das belas escamas são extraídas biojóias colares, brincos e pulseiras, e a carne saborosa, com ausência de espinhas e de sabor leve é apreciada por todos que a consomem.

    FUTURO O diretor do instituto Berohokã, Luis Jacarandá, adianta que para 2009 está sendo preparado seminários em Cuiabá e outras grandes cidades do país para divulgar o trabalho e a importância da Operação S.O.S Pirarucu. A intenção seria, além de buscar um maior número de parceiros, garantindo assim a preservação da espécie e a geração de oportunidades para a comunidade do Araguaia.

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